Agentes culturais em defesa do Mercado

Mercado do Bom Sucesso, fotografia de Inês d'Orey, Janeiro de 2011

Diversos nomes de agentes da cultura subscrevem um manifesto pelo Mercado do Bom Sucesso. Transcrevemos aqui o seu texto e nomes de subscritores:

MANIFESTO ‘O Mercado do Bom Sucesso é Cultura!’

Somos agentes e produtores de cultura na e para a cidade do Porto.

Entendemos que cultura se faz de pequenas e grandes coisas na vida duma cidade.

De salvaguarda do património arquitetónico mas também de proteção do comércio de proximidade, sustentável, mais humano.

Indignamo-nos porque o Mercado do Bom Sucesso deve ser requalificado e mantido como equipamento público ao serviço da população.

Não queremos que seja convertido num complexo de shopping, hotel, parques de estacionamento e lojas de produtos alimentares de luxo.

Compreendemos as palavras de tantos cidadãos e cidadãs que apoiam esta causa e a que aqui damos voz:

«Eu nasci aí dentro desse majestoso monumento desta cidade e jamais aceitarei que a sua essência seja desvirtuada. É e será sempre o meu local de nascimento e a minha segunda casa actualmente, mas no coração será eternamente a minha primeira casa, a minha primeira escola de vida pelo muito que aprendi e pelo muito que “cresci” nesse grandioso espaço. Todos juntos seremos uma força indomável que não permitirá o assassínio deste símbolo da cidade».

«O património tem que ser cuidado, requalificado, não desvirtuado à sombra de uma pseudo-requalificação…»

«Um edificio que tanta história conta da cidade, que foi o local de compras da nossa infância. Não se rendam a modernices mas a manter a história e a beleza que nos transmite. Tenham capacidade conservação da história dum povo.»

«Sacudir responsabilidades com concessões trapalhonas deste e de outros espaços (a lista vai engordando) é não querer contribuir para um futuro melhor, nosso e dos que virão!».

«É esta integridade de espaço, luz, matéria e forma que desenha a identidade arquitectónica do Mercado do Bom Sucesso, edifício recentemente classificado como ‘monumento de interesse público’. Embora dizendo respeito a todos os cidadãos, permitam-me que afirme que os arquitectos se deverão situar na primeira linha deste protesto».

«[…] estaremos a defender o que é nosso: todo ele um cenário interior que nos transporta para uma atmosfera ainda não esquecida. Graças a uma arquitectura pensada, que hoje conserva a genuína convivência e proximidade entre pessoas, que resiste à frieza das relações humanas das grandes superfícies, e que tanto orgulha e caracteriza a gente do norte.»

O Mercado deverá ser revitalizado, dinamizado com possíveis actividades complementares à sua função, mas preservando a sua identidade de Mercado e de edifício público, de bem patrimonial cultural e humano da cidade do Porto.

Como cidadãos empenhados pretendemos que o edifício do Mercado continue «a marcar a sua época», através do respeito pelo património construído e classificado e que continue «marcar o seu fim» de mercado tradicional de frescos, sempre actual numa cidade viva.

ACdP – Associação de Cidadãos do Porto

Ada Pereira da Silva – professora e produtora cultural

Adelaide Teixeira – atriz

Ana Luísa Amaral – poeta

André Cepeda – artista/fotógrafo

António Capelo – ator

António Costa – programador

Carlos Romão – designer gráfico e fotógrafo; Blog A Cidade Surpreendente

Cassiopeia – estrutura de produção cultural

Colectivo Maldita Arquitectura

Isabel Lhano – pintora

João Fernandes – curador de arte contemporânea

Jorge Campos – professor e documentarista

Júlio Gago – presidente do CCT/Teatro Experimental do Porto

Manuela Bacelar – autora

Maria Gambina – estilista

Mário João Mesquita – arquiteto, professor de Arquitetura na FAUP

Mário Moutinho – ator, diretor artístico do FITEI

Pedro Abrunhosa – músico

Pedro Lamares – ator

Teatro Plástico – companhia de teatro

Teresa Carrington – artista plástica

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21 responses to “Agentes culturais em defesa do Mercado

  1. Respeite-se o património construído e classificado que é dos cidadãos!

  2. Luiz Gonzaga Martins

    Que a “Ninguém” – seja qual for o estatuto com que se alarde – possa ser considerado lícito ou consentido ou permitido ou tolerado destruir o Património Artístico de Eras de OUTRAS GERAÇÕES, pois, para além de cometerem falta grave contra o Cívismo, destróem características distintivas fundamentais, próprias e identitárias das Pátrias das GENTE DO BEM COMUM ou CIDADÃOS ou POVO!
    HAJA QUEM LHES EXPLIQUE! HAJA QUEM OS FÁÇA COMPREENDER!! HAJA QUEM OS FÁÇA PARAR!!!
    A CAUSA É JUSTA E É DE TODOS.

  3. jorge do carmo pereira

    deixem a nossa cultura em paz requalifiquem mas não desvirtuam .
    Não façam nada que amanhã se arrependam.

  4. Os nossos políticos querem fazer com o património e a cultura, o que fizeram durante mais de trinta anos, ao país.

  5. Mais uma vez os interesses do capital em detrimento da polis e da população . Pobre cidade que tais gestores tem !

  6. Alfredo Ireneu Mota

    No nosso país, o Património é constantemente delapidado por aqueles que não fizeram nada para o erigir e não têm qualquer sensibilidade para o entender!

  7. Dina Felgueiras

    Um dos mercados mais emblemáticos do país!

  8. Maria Oliveira

    Espero sinceramente que amanhã, dia 19, pelas 17 horas, mais gente se junte ao protesto no Mercado do Bom Sucesso.
    Passei a minha infância neste belo lugar, aliás, a minha mãe é uma das vendedoras deste emblemático edifício, há mais de 30 anos – e que agora vai ficar desempregada, com 40 e muitos anos de idade.
    Recordo-me do tempo (não muito distante) em que tudo era menos complicado, em que os Mercados tinham valor, em que as pessoas tinham valor. Hoje, preferem consumismo absoluto, poder e grandes negociatas – das quais apenas lucram aqueles que já sabemos, os de sempre.

    Por motivos profissionais, infelizmente, não poderei estar amanhã presente no protesto.
    Apenas peço que quem estiver lá, tente mudar o rumo que as coisas estão a tomar.
    Por este edificio tão característico, pela cidade do Porto, pela minha mãe e por muitas pessoas que vão adicionar mais número aos números já tão altos de desemprego em Portugal. Por uma sociedade mais humana, por uma valorização dos mercados de rua, do comércio tradicional e da bela arquitectura do Porto menos moderno. Pela alma do Porto.

  9. Fewrnando henrique

    Se o querido Dr. Rui Rio deixasse fazer uma coisa destas era o coroar do desrespeito aos valores do PATRIMÓNIO ARQUITECTURAL DO PORTO

    • mercadobomsucesso

      a Câmara escolheu a Eusébios para empresa a concessionar a exploração do Mercado; a Secretaria Regional de Cultura aprova um projeto arquitetónico que os arquitetos mais destacados da cidade do Porto condenam; a Odem dos Arquitetos tomou hoje posição pública exprimindo precupação com a irreversibilidade da intervenção aprovada. Resta-nos o protesto e a vontade firme de não permitir que isto avance. Amanhã vamos demonstar a nossa indignação

  10. henrique normando

    “Como cidadãos empenhados pretendemos que o edifício do Mercado continue «a marcar a sua época», através do respeito pelo património construído e classificado e que continue «marcar o seu fim» de mercado tradicional de frescos, sempre actual numa cidade viva. ”
    Subscrevo:
    Henrique Normando
    hn

  11. José Afonso Sanches

    O exercício público da nostalgia tem limites. Mas, sem memória deixamos de existir. O apagar da memória determina que ninguém se venha a lembrar que uma vez fomos ou, com o passar do tempo, que algo existiu – e que ali estivemos e fomos, uns para os outros.
    Um mercado existe fisicamente, mas marca profundamente a vida de quem pelo sofrimento incalculável alimenta a cidade, tentando minorar o sofrimento alheio. Fazer-lhes justiça não é riscá-los do mapa por acto administrativo, visto como decisão irrevogável. Neste sentido o mercado é um monumento vivo ao sofrimento de cada ser que dele faz o seu espaço e mesmo do espaço em que se insere, a cidade. Seria trair o Porto se os cidadãos desta cidade e mesmo os restantes cidadãos do país permitissem esta operação de irresponsabilidade, que mais que política é administrativa – isto sucede à política quando só tem em conta uma certa dimensão da “governação”. Uma dimensão que não respeita nada, senão um certo capital que neste momento é virtual, podendo não ser actual. Projectos há muitos, mas trocar o que existe, por um projecto que não nos respeita e pode não nos dizer respeito (diz respeito ao capital puro e simples e, daí, ao negócio da especulação – neste caso imobiliária) é um erro que os políticos eleitos deviam pagar caro. A utopia está entre o que existe: a restauração deste espaço impõe-se, de modo a manter o espaço público na esfera pública. Este é um modo claro de conservar a memória e de renovar a confiança no futuro.

  12. Luzia Pereira

    QUEREMOS ,PODEMOS E NAO DEIXAMOS QUE NOS TIREM

  13. o meu apoio incondicional também! Rui Pires, argumentista/montador

  14. Pingback: Oposição vai confrontar Rui Rio com incumprimentos no Bom Sucesso | Porto24

  15. Mas iremos precisar de ‘voltar à carga’, pois vai ser necessário provarmos que estamos a falar a sério, sr. Autarca acelera! Só os rails de protecção, protecções para os espectadores e estruturas para absorver o embate de uma viatura a alta velocidade são caras, boxes, pagar a comissários, inem, bombeiros, socorristas, um helicópetro, se necessário for para evacuar rapidamente alguém para um dos hospitais, redireccionar o trânsito, policiamento, promoção, cachets a pagar aos corredores mais cotados, bilhetes de avião, transportes de viaturas de competição e material de suporte (jantes, pneus, etc…, alojamentos, apoio logístico, etc… quanto custa? 2 ou 3 balúrdios, não só um… dava, para com uma parcela do custo das corridas do circuito da Boavista, pintar todo o Bom-Sucesso, reparar as fissuras, melhorar as canalizações, os wc’s, e as condições de trabalho das centenas de pessoas que ali trabalham e suas famílias disso dependem para sobreviver. Crise e acaba-se com postos de trabalho num edifício qualificado como de interesse histórico-arquitectónico da cidade do Porto, atractivo para os turistas – fartos de ‘moles’… sorry, centros comerciais estão eles… e nós. O que está em frente, ontem, pela 18h estava quase vazio de utentes ou clientes…

  16. Não se percebe que ainda não tenham classificado este edificio como monumento nacional, pois é uma obra de rara beleza arquitectónica, merecedora de algum respeito.

    Por outro lado, a falta de ética profissional, e de má educação, apadrinhada pela Câmara, é uma constante no desenvolvimento deste projecto, já que o Gabinete autor do projecto inicial não foi contactado sobre este assunto.

    Francisco da Cunha Leão
    arquitecto

  17. O património cultural,que é nossa herança tem ser preservado,é preciso combater os vampiros do imobiliário a todo o custo.

  18. Pingback: PROTESTO E PROPOSTA: O futuro do Mercado do Bom Sucesso « Um pé no Porto e outro no pedal

  19. A falta de ética profissional, e de má educação, apadrinhada pela Câmara, e por Rui Rio, é uma constante no desenvolvimento deste projecto, já que o Gabinete autor do projecto inicial não foi contactado sobre este assunto.

    ARS arquitectos
    Francisco da Cunha Leão
    arquitecto

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