Movimento desafia IGESPAR a assumir responsabilidades

COMUNICADO DE IMPRENSA

O MOVIMENTO MERCADO DO BOM SUCESSO VIVO vem por este meio exprimir a sua posição face às recentes afirmações da Arquitecta da empresa Eusébios relativamente ao processo de destruição do Mercado do Bom Sucesso e sua transformação em Centro Comercial.

1 – O MERCADO DO BOM SUCESSO FAZ SENTIDO COMO MERCADO, NÃO COMO MAIS UM CENTRO COMERCIAL.

A cidade do Porto precisa dos seus mercados para se regenerar. A reabilitação de uma cidade faz-se reabilitando a habitação, o espaço público e o pequeno comércio de proximidade. A “alma do pequeno comércio popular” faz parte da alma desta cidade do Porto.

2 – O MERCADO DO BOM SUCESSO TEM VIDA E RENTABILIDADE.

Como qualquer espaço de microcomércio envolve cerca de 140 comerciantes com actividade pessoal e suas famílias. Como o Mercado do Bolhão é um lugar convencionado para troca de produtos frescos locais, mais correctos sob o ponto de vista da ecologia e da saúde, ao contrário das desconfortáveis e pouco saudáveis praças da “alimentação” que povoam as nossas cidades, eliminando o que de melhor teve e tem a comida tradicional. Enquanto cultura, civilização, modo de vida, urbanidade.

A rentabilidade deste mercado existe para os seus comerciante, não para uma empresa imobiliária exterior a esta cultura que ousa chegar de braço dado com o poder público e impor o seu “quero, posso e mando” a quem já se instalou há mais de 50 anos neste sítio.

Este mercado só não tem mais rentabilidade porque os vários executivos da Câmara têm criado todo o tipo de dificuldades e de abandono. O mercado do Bom Sucesso tem vindo a ser alvo de uma degradação programada. A Câmara não passa licenças novas há mais de 10 anos apesar de inúmeros pedidos nesse sentido.

Tudo tem sido feito pelo poder público para justificar este negócio imobiliário,

3 – NÃO HÁ INFORMAÇÃO PUBLICADA SUFICIENTE RELATIVAMENTE AO PROJECTO DA EMPRESA EUSÉBIOS.

Desafiamos a empresa Eusébios  a publicar integralmente os projectos de execução que terá elaborado como base da obra!  Só com a possibilidade de acesso fácil e público ao projecto (na internet e em papel), Plantas, Cortes, Alçados e Áreas, a cidade poderá ficar informada do que realmente se está a passar, só assim poderá formar opinião.

Sem esta publicação ficamos à mercê de desenhos que só reflectem o marketing e a informação feita e controlada de modo a evitar críticas…

Não informar provoca silêncios.

4 – O PROJECTO DA EMPRESA EUSÉBIOS NÃO RESPEITA A ARQUITECTURA DO EDIFÍCIO, DESTRUINDO-A!

Acusamos o Projecto de ter uma visão fachadista da Arquitectura do edifício, destruindo o que ele tem de melhor, o seu magnífico espaço interior.

Pretende-se efectivamente encher o espaço com dois grandes volumes que cortam o espaço central, ocupando-o e quase encostando-se às suas fachadas envidraçadas . Estas fachadas foram concebidas para funcionarem como membranas transparentes de espaço e luz de um lugar em forma de “nave”, vazio e sereno. O projecto pretendido adultera indelével e definitivamente este conceito, enchendo o seu interior com metros cúbicos de construção. É um atentado a um edifício modernista com um processo aberto pare classificação como património nacional pelo IGESPAR.

Não é mais concebível nesta cidade que se insista na praça pública em continuar a apelidar de “reabilitação” este tipo de intervenções!

É evidente que se se está a alterar o programa de mercado para shopping e a transformar radicalmente o edifício que nada aqui se vai “reabilitar”. Re–habilitar é isto mesmo: “tornar a habilitar para…”. Este mercado precisa sim de se tornar a habilitar para… mercado com todas as condições. Propomos ao poder público que tome em suas mãos um projecto sério de verdadeira reabilitação, resolvendo algumas patologias construtivas nunca resolvidas, modernizando, enquadrando e rentabilizando o uso para mercado de frescos.

5 – A DESTRUIÇÃO DO MERCADO E SUA TRANSFORMAÇÃO EM MAIS UM CENTRO COMERCIAL CONTRIBUIRÁ PARA UM EMPOBRECIMENTO AINDA MAIOR (DA VARIEDADE) DA VIVÊNCIA URBANA DA ZONA DA BOAVISTA!

Desafiamos a empresa Eusébios  a publicar  o estudo de mercado que terá elaborado como base para a viabilidade deste negócio! É estatística e realidade efectiva a tendência para fecharem uma grande parte dos Shoppings feitos nos anos 80 (o declínio do Brasília, o fecho do Dallas, o Península com metade das lojas fechadas), o esgotamento e o excesso do modelo dos Shoppings de periferia dos anos 90 (custos, trânsito e poluição, má arquitectura) e por fim, com a actual crise que já prevê afinal a não abertura de mais uma série de Shoppings programados para abrirem com toda a pujança em tempo de “vacas gordas”. Tem este pretendido centro comercial viabilidade económico-financeira? Ousamos dizer que não! É sensato dizermos que há já muitos shoppings e hotéis no espaço de três quarteirões que há muito que esgotaram a zona. E sobretudo, não faz sentido a pretensão de a esgotar ainda mais com um modelo passadista em crise por essa Europa onde nos integramos. Só o Porto insiste em destruir os seus mercados. Tanto fora do país (Paris, Barcelona, várias cidades da Holanda), como dentro (Olhão com um belíssimo mercado reabilitado com dinheiros públicos) são alguns exemplos que demonstram que o esse novo-riquismo já é “demodé”.

6 – ESTE  PROCESSO DE DESTRUIÇÃO DO MERCADO É TAMBÉM UM PROCESSO DE DESTRUIÇÃO DOS COMERCIANTES E DO TIPO DE MICRONEGÓCIO QUE LHES É ASSOCIADO!

O ataque contínuo aos mercados de frescos elimina postos de trabalho quando a economia precisa deles para sair da crise.

Desafiamos a empresa Eusébios a informar os comerciantes com detalhe relativamente à sua situação e relativamente a todo o processo!

A promessa inicial do vereador das actividades económicas, Sampaio Pimentel, que não esquecemos, foi de que os seus interesses seriam preservados, agora pretende-se precipitar a saída de cerca de 100 comerciantes, de forma brutal e desinformada.

O tratamento dos pequenos vendedores “como lixo a varrer” da cidade, “sempre prontos e dispostos” a serem substituídos por um qualquer centro comercial revela uma enorme falta de sensibilidade por parte da Câmara. O mesmo foi tentado e não conseguido no Mercado do Bolhão devido à união e à solidariedade da cidade.

7 – O  TIPO DE EMPREENDIMENTO PRETENDIDO PARA O LOCAL REVELA CONIVÊNCIA DE INTERESSES ENTRE A CÂMARA DO PORTO E OS AGENTES IMOBILIÁRIOS E RESULTA  EM DELAPIDAÇÃO DOS COFRES PÚBLICOS!

A recente classificação do edifício como património municipal, além de se revelar uma classificação vazia na protecção do dito património, teve como objectivo a isenção à empresa Eusébios de enormes quantias em Imposto Municipal de Transmissões, como “prémio” atribuído pelos poderes públicos para a destruição de mais um mercado de frescos, num edifício em vias de efectiva classificação nacional.

O estado permite-se cobrar menos a quem tem mais, e como consequência para todos nós que pagamos impostos com o nosso trabalho, vem a lamúria do costume de que “não há dinheiro para obras”.

Não pode haver isenção de impostos para a destruição  de mais um mercado tradicional!

8 – O silêncio do IGESPAR face a todo este processo revela  desinteresse pelo património modernista,  revela uma visão fachadista e distorcida do que significa realmente a reabilitação de um edifício com características arquitectónicas tão peculiares e revela falta de responsabilidade cívica pela aprovação do ante-projecto com o seu aval enquanto júri do concurso.

Desafiamos o IGESPAR a assumir as suas responsabilidades na defesa do património!

Pedimos a intervenção directa da Ministra da Cultura no sentido de proceder à paralisação de todo o processo, accionando com urgência o mecanismo legal de classificação patrimonial que por fim impedirá o crime da destruição do Mercado do Bom Sucesso!

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